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Educação falida: Voluntários para simplesmente ensinar a ler e escrever

Por Rodrigo Contrera

Quem procura emprego na área de educação pôde se deparar com um anúncio do Governo do Estado de São Paulo procurando professores para reforço.

No anúncio, foi divulgada uma lista das escolas disponíveis, localizando-se em várias regiões do município de São Paulo e outros municípios. No caso, os professores seriam voluntários e receberiam apenas uma pequena ajuda de custo para pequenas turmas (em duas modalidades).

Foi interessante perceber que, ao menos nas duas escolas que visitei (uma, na Luz, e outra no centro, na Consolação), houve uma grande oferta de professores (na primeira, mais de vinte professores se dispuseram, e na segunda mais de 80, até quando pude ver). Mas tem um aspecto nisso tudo que me chamou a atenção.

Estudantes durante ocupação nas escolas

Fiz entrevista para a primeira escola, localizada a poucos quarteirões de um dos pontos da Cracolância. Nessa entrevista, ficaram claras as condições do trabalho, que eu passaria por uma seleção, e que o trabalho de reforço seria desenvolvido em equipe. Ou seja, ninguém seria deixado ao Deus-dará, com alunos desconhecidos, e turmas com problemas diversos. Mas a professora me deixou claro o estado de ensino para esses alunos.

Segundo ela, embora os alunos variem muito em situação escolar (desempenho, por exemplo), os alunos dessas turmas apresentariam problemas bastante básicos de escrita (minha vaga seria para professor de português).

Ou seja, eles no fundo não sabem escrever, mal copiando algo que lhes é apresentado, e precisando partir do básico, para um dia, quem sabe, conseguirem escrever alguma coisa. Ela me deixou claro que a maioria dos alunos não está necessariamente nesse estado, mas que o trabalho de reforço partiria realmente de baixo, de um trabalho bastante difícil de alfabetização, pura e simples.

Não reclamo da situação. Mas percebo que essa situação de analfabetismo foi criada pelo próprio Estado, que permitiu que essas crianças chegassem a essa idade (de 12 a 17 anos) nessa situação. E que agora ele, o Estado, busca trabalho voluntário para sanar essa situação calamitosa. Isso é bastante grave.

“Contratar” um professor iniciante, a título de voluntariado, para sanar um problema que é de base. Muito estranho. Seja como for, eu, de minha parte, não arredo da tarefa, e espero ser chamado. Mas isso é muito estranho, sabendo-se que a Educação não deveria ser uma área sujeita a esse tipo de situação.

 

Por Rodrigo Contrera, jornalista, colaborador do Taboão Digital.

(As opiniões de nossos articulistas não refletem a opinião editorial do Portal, pois acreditamos na liberdade de expressão das ideias que publicamos aqui, mesmo que não concordemos total ou parcialmente com as mesmas)

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